Monday Tracks #9 e #10

PicMonkey Collage

Tô atrasada, tô sumida! Eu sei! Desculpa!

Desde semana passada tô resolvendo uma porrada de problemas e tá realmente complicado sentar e escrever alguma coisa.

Mas agora eu consegui e vamos direto e reto para as faixas selecionadas pra essa segunda-feira e também para a segunda que passou, porque né? Ela também teve música!

Ainda pensando no dia Internacional da mulher que foi comemorado ontem, eu escolhi duas artistas que eu admiro muito : Lauryn Hill e Gwen Stefani, vocalista do No Doubt.

É impossível falar na data, sem pensar no quanto a simbologia dela ainda está equivocada e em quão atrasados estão os pensamentos sobre os direitos das mulheres que ainda causam divergências quando são discutidos, como se todos os pontos abordados fossem tidos como fúteis e desnecessários.Sendo que a maioria deles se aplicam somente a vontade de podermos ter uma vida inteiramente livre ( de julgamentos, de pressão social, de locomoção, de direito de escolha, etc, etc, etc) são constantemente vistos apenas como um mimimi sem fim. Mas não é.

 

Basta abrir os jornais todos os dias e entender que ainda há muito a ser feito e muito a conquistar, começando até mesmo dentro das nossas casa, onde ainda recebemos de certa forma a obrigação de sermos responsáveis por manter o equílibrio de tudo: Manter a casa limpa ( mas ainda ser vaidosa), a vida organizada ( mas ter tempo para a família), o marido interessado ( mas ainda ser “decente”, não pode gostar muito de sexo não) , o filho bem educado ( mas ter uma vida ativa fora de casa) , sermos ativas no mercado de trabalho ( e volta pro tópico da casa limpa).

E assim o ciclo vai se repetindo uma vez e outra e outra.

Resumindo: é difícil viver o tempo todo tendo que corresponder expectativas das mais diversas fontes, onde tudo que diz respeito à nós de bom ou ruim é tido como nossa culpa.

Sei que parece exagero, mas não é.

Basta perguntar para qualquer mulher que você conheça.

Pode ser sua mãe, sua namorada, uma prima, uma colega. Pois ao contrário do que muita gente pensa, nao são só as mulheres que aparecem nos jornais e noticiários que são vítimas consideradas culpadas da violência sofrida, que sofrem preconceito no trabalho, que têm medo de estarem sozinhas à noite em qualquer lugar ou situação, que se sentem desconfortáveis em seus corpos que não são como dizem que deveriam ser … e todas essas poderiam e podem ser perfeitamente mulheres que você conhece.

E pensando justamente nessas discussões que inundam as redes sociais eu escolhi duas canções que acredito que sejam ótimos exemplos do que significa ser mulher na sociedade em que vivemos.

A primeira é ” Just a Girl”  do No Doubt ,que explora esse lado da fragilização das mulheres e nos resume apenas à isso, como se o gênero determinasse que não temos autonomia para decidir nem fazer nada por nós mesmas, afinal somos ” apenas garotas”. A letra tá aqui!

I’m just a girl in the world…
That’s all that you’ll let me be!

 

A segunda é da minha deusa Lauryn Hill e se chama “ Doo Woop ( That Thing)” que aborda com maestria todos os clichês, pré-conceitos e a realidade do machismo, tanto da parte das mulheres quanto dos homens e da hipocrisia em geral que rege as relações interpessoais, onde na verdade cada um quer é se dar bem no final. A letra completa tá aqui.

 

Boa semana pra vocês, meus amores!

E para as meninas ,mulheres ,senhoras,homens de alma feminina, mulheres trans e você que de alguma forma não se sente bem no gênero que aplicam à você, desejo de coração que todos os dias sejam cheios de amor e reconhecimento como ontem! ❤

 

* O Monday Tracks é uma blogagem coletiva criada pelo blog Idéias Sortidas*

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12 comentários sobre “Monday Tracks #9 e #10

  1. byad 10 de março de 2015 / 0:13

    Nossa luta continua e ainda tem muuuuito chao pela frente, representou bem mulé ❤
    A-M-E-I essa música da Lauryn Hill, nao conhecia!
    Beijo!!

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    • pammiksch 11 de março de 2015 / 11:47

      Brigada, Cabelinho!
      Foi impossível não tocar no assunto!
      Lauryn é minha deusa! Amo de todo o coração!
      Beijos ❤️

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  2. Tays pereira 10 de março de 2015 / 5:12

    Espero que contigo esteja tudo bem…que o tempo que você passou longe blog foi muito bem resolvido.
    Amei o seu comentário, que me fez refletir sobre quanto mais lutamos por uma ” ISONOMIA” parece crescer de maneira opulenta uma certa cobrança de dá conta de tudo( ser vaidosa, cuidar da casa e marido, dar atenção a família…ufa!!). E aí eu percebo o quanto é importante ocupar o meu espaço tão desejado. E esse espaço desejado eu estou lutando de forma tão severa; que dias com internacional de nós mulheres só me ajudam mais a entender que a luta é longa e não utópica.
    Adorei as músicas escolhidas diria que você tem um gosto muito refinado e intimista!!!
    Muito bom tê-la de volta!!
    Abraços!

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    • pammiksch 11 de março de 2015 / 11:49

      Oi Tays! Brigada pela energia positiva!
      Eu consegui resolver bastante coisa sim, mas mesmo assim ainda tem uns contratempos pela frente!
      Eu tenho certeza que você vai conseguir atingir seus objetivos, pois consigo perceber sua paixão e o desejo real de vencer!
      Minha torcida você já tem!
      Um beijo bem grande ❤️

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  3. Ana Schuller 10 de março de 2015 / 11:22

    Arrasando no texto como sempre!!! Adorei sua reflexao! A luta eh grande, mas a gente tem forca na peruca! Eu gosto muito dessas duas! Elas tb arrasam. Xero e boa semana pra vcs! ❤

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    • pammiksch 11 de março de 2015 / 11:51

      A luta ainda é muito grande, mas a gente vai chegar lá!
      E que o mundo dos nossos filhos e filhas seja muito melhor do que o que temos hoje!
      Isso que eu espero de verdade!
      Uma semana linda pra vcs, Coração!
      Um xero ❤️

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  4. Bárbara Hernandes 10 de março de 2015 / 11:45

    Pam, eu adoro essas duas músicas que você escolheu, muito! Doo Wop é maravilhosa!

    Concordo com tudo que você descreveu sobre o dia das mulheres e o que ele deveria representar. Eu ando vendo tanta coisa inútil e ofensiva na minha timeline do facebook a respeito que tenho dado unfollow geral – mas dar unfollow não cancela o problema deu ter conhecidos que acreditam que os direitos da mulher são mimimi, que a presidenta é vaca, etc, etc.

    Temos um longo caminho pela frente!

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    • pammiksch 11 de março de 2015 / 11:54

      Ba, você tocou exatamente no ponto que mais me incomoda!
      Meu facebook tá recheado de declarações abomináveis sobre os mais variados assuntos!
      Mas dr unfollow realmente não resolve nada, nem discutir incansavelmente como eu andava fazendo!
      O que a gente pode fazer é não deixar o assinto cair nos clichês que andam aplicando e procurar esclarecer o máximo possível de pessoas!
      Vai ser um trabalho de formiguinha, mas a gente vai chegar lá!
      Um beijo pra você, lindona! ❤️

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  5. Cerveja e Salsicha (@CervejaSalsicha) 10 de março de 2015 / 14:21

    Oi, Pam!

    Gostei do texto. O que dizer de frases generalizantes tais como “A mulher só se realiza quando se torna mãe”, “Toda mulher adora cuidar da casa”, “Mulher não liga tanto para sexo” e outras milhares de bobagens? Pior ainda é ver outras mulheres dando apoio a pensamentos e atitudes machistas, inclusive criando e educando filhos e filhas para perpetuarem de forma acirrada a diferença de gêneros. É triste!

    E o que dizer das mulheres que ainda são mutiladas, torturadas, apedrejadas e castigadas violentamente para se seguirem determinadas regras e padrões? Acho que há muito pouco para ser comemorado. A pressão sobre a mulher só muda de cor e tamanho, mas na essência ainda é a mesma.

    Beijos!
    Lu

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    • pammiksch 11 de março de 2015 / 12:00

      Lu, muito obrigada mesmo!
      Fico feliz que tenha gostado!
      Preciso confessar que o que mais me choca é a falta de empatia das pessoas e principalmente das mulheres!
      É uma postura muito fria, quando você vê mulheres do mundo todo sendo violentadas, vendidas, escravizadas, mas aí tem um grupinho que acha que isso não é um problema pra se preocupar, já que nunca aconteceu com elas, ou conhecidas ou onde moram!
      Afinal pimenta nos olhos dos outros nunca arde, né?
      Da mesma forma como crucificam mulheres que são engajadas a lutar pela causa. São ridicularizadas, tidas como encrenqueiras.
      Aí eu me pergunto se essas pessoas não pensam que tudo isso também é em prol de todas as mulheres do mundo, incluindo suas mães, companheiras e amigas!
      É triste e desesperador!
      Mas sonho com uma melhora!
      Beijos pra vc , lindona! ❤️

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  6. Lua Virada 10 de março de 2015 / 21:13

    Que post ótimo, Pam! Eu queria ter escrito alguma coisa para o 8 de março, mas estava muito enrolada… Eu me incomodo muito com essa história de ter que viver segundo papéis de gênero, principalmente no nosso mundo de hoje onde as mulheres precisam ser “Super Mulheres” como você escreveu. É muito pesado ter que ser tudo ao mesmo tempo, simplesmente porque é o que a sociedade espera.

    Beijos!

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    • pammiksch 11 de março de 2015 / 12:06

      Lua, também tô toda enrolada aqui!
      Mas como já tava postando atrasada e ainda estava/estou com um nó na garganta por conta de coisas que li no domingo, não tive como deixar esse assunto pra lá!
      Fico chocada com a regressão intelectual e sentimental das pessoas atualmente!
      Minha timeline tá repleta de gente reacionária, hipócrita e com pensamentos medievais!
      Volta e meia quero discutir esse assunto por lá, mas realmente não tenho saco pra ficar explicando o óbvio, sabe?
      Então decidi colocar aqui, porque é meu espaço!
      Mas realmente me pergunto o que ainda teremos que fazer na sociedade para que sejamos finalmente aceitas?
      O que teremos pra oferecer quando já tiram tudo de nós todos os dias?
      É brabo! 😦

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