Lá e de volta outra vez

Há quase dois anos saí do Brasil.

Há pouco mais de um mês voltei pra Alemanha.

E quanta coisa mudou em mim desde que comecei essa bigamia com meu amor pelos dois lugares.

Mas o assunto hoje é Brasil e caramba! Como foi bom voltar pra casa!

Nem na minha mudança pra cá fiquei tão ansiosa.

Entrar num avião pra voltar ” pra casa de lá” foi uma das experiências mais positivamente angustiantes da minha vida, pois o tempo simplesmente não passava.

Mas após horas esperando no aeroporto, escala em Lisboa e mais muito tempo dentro de um avião, finalmente cheguei, aliás chegamos, pois é claro que Limão também foi matar a saudade ” de casa ” como ele mesmo fala.

Já no aeroporto desnudei a alma de chorar, recebi os abraços que ansiava há tempos, relembrei as cores, formas e sensações do meu Rio de Janeiro.

Afinal, não tem nada mais carioca ( ou fluminense no meu caso) do que pegar aquele engarrafamento maroto de fim de tarde, ouvindo rádio e observando o contraste da paisagem ora rica, ora miserável no caminho de volta pra casa.

Já nos primeiros dias de Brasil o que mais me tocou foi a sensação de que tudo continuava como sempre foi, não pareceu por nenhum segundo de que eu havia estado longe por tanto tempo.

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Um monte de homi bombado! Hahahah
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Os abraços, os sorrisos, os encontros despretensiosos nas ruas e aquele ” vamos combinar alguma coisa” que a gente sabe que nunca vai dar em nada, mas é uma tradição brasileira de informalidade que eu até então não tinha reparado o quanto me fazia falta.

Mas quando os encontros marcados viravam realidade, ah, era maravilhoso!

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Tava bebendo suco, eu juro!
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Entretanto muita coisa mudou nesse período em que eu estive fora.

Algumas coisas cresceram – e muito!

Minhas sobrinhas que crescem que nem bambu!
Minhas sobrinhas que crescem que nem bambu!
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Festinha que a tia babona fez pra comemorar os aniversários atrasados das duas!
Meu Coíco, Dylan!
Meu Coíco, Dylan!

Outras nasceram…

Minha filha Pepita que veio me mostrar os filhotes toda orgulhosa!
Minha filha Pepita que veio me mostrar os filhotes toda orgulhosa!
E os meus netinhos gordinhos, delicinhas da vovó! <3
E os meus netinhos gordinhos, delicinhas da vovó! ❤

E os preços? Caramba! Como as coisas ficaram ainda mais caras !

Tendo uma vida bem modesta na Alemanha, me senti saudosista no Brasil vendo meu dinheiro escorrer entre os meus dedos a cada ida ao mercado.

Não gosto de comparar a realidade dos dois países, até mesmo por serem completamente diferentes nas mais diversas áreas ( histórica, econômica, etc).

Mas me dói o fato de que está cada vez mais difícil conseguir se sustentar no meu país e me flagrei várias  vezes nos supermercados por lá me perguntando como eu fazia pra comprar todas as porcarias que eu adorava quando ainda morava lá, pois dessa vez não deu pra comprar tudo não.

A violência também bateu à nossa porta, quando o meu bairro, antes super pacato na Baixada Fluminense, virou o novo reduto do exôdo criminal que assolou o estado.

Com toda a maquiagem feita para os eventos da Copa do Mundo, os traficantes expulsos dos grandes centros com a implantaçao das UPPs ( Unidade de Polícia Pacificadora) nas favelas cariocas, avançaram para outras áreas mais distantes do ” poder” da polícia.

Lugares mais pobres, mais desprotegidos onde eles podem atuar sem qualquer tipo de retaliação ou risco para suas atividades.

Então a maioria dos nossos compromissos eram marcados sempre durante e dia, sem que isso necessariamente nos protegesse de alguma coisa, quando muitos tiroteios e assaltos aconteceram antes mesmo das 10 da manhã.

E essa liberdade limitada no lugar onde eu cresci, foi muito triste de vivenciar.

Mas com perrengues ou não, voltamos em parte inteiros pra casa!

Em parte eu digo por conta desse vazio que fica sempre que se volta para a ” nova casa”.

E aí todas as formas, aromas e sabores se mesclam.

Você se sente feliz pelo que viveu, pelas pessoas que reencontrou, que abraçou, mas também se sente renovado pra continuar com a sua nova vida, já que aqueles que realmente gostam de você continuarão te esperando de braços abertos na próxima visita.

E depois das despedidas tão sofridas é somente essa esperança de mais um reencontro que faz a gente conseguir entrar no avião, não tem outra explicação…

Eu realmente não consigo traçar uma linha divisória que determine meu amor por nenhuma das minhas duas casas, só digo que o que me importa mesmo são as pessoas que moram em cada uma delas.

Diria apenas que quando lá me sinto grata por todos os caminhos que trouxeram até aqui e aprendo a apreciar esse modo de vida mais prático, mais funcional e mais organizado da Alemanha.

Mas estando aqui também me sinto profundamente agradecida por tudo que há no Brasil que constituiu a pessoa que eu sou hoje e sinto muita falta da espontaneidade, dos sorrisos anônimos, da energia e desse modo esperançoso e quase indômito que temos de viver.

Porque no Brasil, diferente daqui, a gente vive um dia de cada vez mesmo e só torce pra ter a chance de tentar tudo de novo no próximo. Se Deus quiser! – como todo mundo sendo religioso ou não, sempre fala.

E nessa divisão com tanta gratidão envolvida, só encerro dizendo que quem tem muita sorte nessa coisa toda sou eu, que preferindo não ter que me dividir entre um lugar e outro, não ganhei e nem perdi pátria alguma.

Apenas fiquei com o mundo inteirinho pra explorar.

Um beijo bem carinhoso em todos que eu pude encontrar, visitar, abraçar e um mais carinhosos ainda para aqueles que por alguma razão não tenham conseguido me ver, mas no meu coração tem um lugar enorme e cabe com certeza todo mundo!

Mal posso esperar pra ver todos de novo! E tomara que seja bem rápido!

Enquanto isso  vou ficando por aqui com um  coração  que bate um poquinho pra cá, um pouquinho pra lá… e de volta outra vez.

 

* As fotos são roubartilhadas dos amigos! ❤

 

 

 

 

 

 

 

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11 comentários sobre “Lá e de volta outra vez

  1. Camila Oliveira 13 de novembro de 2014 / 20:56

    Eis que senti falta de uma foto minha com você, num tá ai porque né esquecemos de tirar, mas aquele momentinho de papo tá numa caixinha de recordação fofa da vida, e que o tempo passe bem rapidinho, pra eu ir ai ou tu vir pra cá de novo! ❤

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    • pammiksch 13 de novembro de 2014 / 20:58

      Pois é, eu ainda falei pra tiramos antes que meu celular descarregasse! hahahahahah
      Mas como já ouvi de uma pessoa bem sábia: às vezes os nossos momentos sao tao bons, que a gente nem pensa na foto e isso sim faz deles eternos!
      Ano que vem se Deus quiser tô aí de novo! ❤

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  2. Carol 13 de novembro de 2014 / 22:07

    Oi,

    Se eu soubesse que aquela foto seria A foto teria me arrumado melhor huahuahua

    Realmente fazer mercado ficou bem mais caro e o que me entristece mais é o fato da situação estar pior em Belford Roxo (e outras cidades da Baixada) principalmente em relação a violência. Não sou 100% a favor das UPP´s mas acho q foi um começo do longo caminho q temos que percorrer até ver nossa cidade como queremos (faltam projetos sociais e infraestrutura)…
    Minha maior crítica é justamente a migração de bandidos para Baixada.

    Enfim, não importa para onde a vida te leve vc sempre terá gente desde lado do Atlântico te esperando!

    Volta logo 😉

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  3. byad 13 de novembro de 2014 / 22:53

    Quanta felicidade transpirando nessas fotos!!
    Só imagino toda essa ansiedade, carinho e saudade que vem e vai. Nada melhor que aquele abraço tão aguardado ❤
    E menina, tá muito muito muito muito muito caro no Brasil, sofro sempre pra ir no mercado, qualquer coisinha você compra e já dá 50 reais, 70, 100… Vou na casa de amigos as vezes e vejo salgadinho, danone, doce, PÃO INTEGRAL (fortuna), vários frios e fico pensando "Mas geeeente que lusho!" hahaha tá triste a situação.
    Beijo 🙂

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    • pammiksch 14 de novembro de 2014 / 23:16

      Po, tá muito brabo!
      Voltei chorando pra Alemanha e correndo pro Aldi ( o mercado mais barto daqui) e comprando muita coisa mesmo com a grana que não comprava nada no Brasil! Foi triste!
      Mas voltar pra casa é sempre uma delícia!
      Já tô aqui sofrendo de saudade de tudo e de todos! Ain! ❤

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  4. Silvia Lira 14 de novembro de 2014 / 0:14

    Só rico mora no Brasil, tah f***!!! hehehehehhee

    Eh muito legal rever amigos e que bom que a tecnologia de hoje nos permitem esse contato! Imagina se a gente tivesse que mandar carta? Esperar chegar uma foto pelo correio pra ver como estão as pessoas? Loucura né? 😛

    Na minha opinião quanto mais tempo vc passar na Alemanha mais difícil vai ser sentir vontade de voltar. A liberdade de andar despreocupada, a qualquer hora do dia, não tem preço! Mais surreal q os preços eh a violência, nem trancados em casa nós estamos seguros!! Sad but true! 😦

    Beijuuuuu!!! 🙂

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    • pammiksch 14 de novembro de 2014 / 23:19

      Pois é, Silivia!
      O que mais me chocou foi essa senscão de estar insegura até mesmo dentro de casa!
      O pior de tudo é não conseguir ter esperanças de uma melhora, sabe?
      Tô aqui há pouco tempo, cê sabe. mas já me acostumei muito com o modo de vida daqui a ponto de me assustar com algo que até pouco tempo atrás eu considerava até normal! Triste.

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  5. Paula Oliveira 15 de novembro de 2014 / 3:17

    Que post mais lindo, minha panelinha de doce de amora. Eu fico daqui só tentando imaginar essa sensação de se ver partido em dois com um oceano de saudades no meio.

    PS. Seu limão super abrasileirado, hein? Só o bronze que denunciava rs.

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  6. universodeestrelas 18 de novembro de 2014 / 23:12

    Nossaa!! Que texto!!
    Arrasou mesmo! Até senti a emoção que você passou ao escrevê-lo!
    Sempre penso que queria ter a oportunidade de morar fora (ainda que só por um tempinho) e viver sem medo da violência em algum lugar lindo!
    O Rio é lindo também e realmente nos deixar com saudade em viagens, mas o dia a dia tem suas dificuldades né.. é um paradoxo de sentimentos!
    Beijoss

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    • pammiksch 24 de novembro de 2014 / 15:33

      Muito obrigada! Fico muito feliz mesmo!
      Mas mesmo com todos os problemas e essa possibilidade de morar aqui, o Rio sempre vai ser o lugar mais lindo do mundo pra mim!
      Já estou morrendo de saudades de lá!
      Um beijo ❤

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