A pergunta que não quer calar…

Mas foi respondida.

Muita gente me pergunta desde que eu me mudei: Pamela, como é ser negro na Alemanha?

E eu sempre ficava matutando sobre esse assunto, mas sinceramente sem pensar de verdade sobre isso.

Já escrevi sobre isso aqui no blog e foi até hoje o post com mais acessos, visitas e compartilhamentos.

Mas a oportunidade de refletir e falar com mais afinco sobre o assunto veio quando a Cris, do canal Viaje com a Cris me convidou para fazer um vídeo sobre isso para os seus seguidores no YouTube.

Eu aceitei essa proposta em primeiro lugar porque a Cris é minha amiga e uma pessoa maravilhosa que tem realizado um trabalho lindo desmistificando a Alemanha na internet e dando muitas dicas bacanas para as pessoas que pretendem vir, que já chegaram e até aquelas que já moravam aqui por algum tempo.

Em segundo lugar porque eu não tenho problema nenhum em falar sobre assuntos polêmicos com naturalidade, na verdade é até uma especialidade minha essa de arrancar o Bicho papão de dentro do armário e encará-lo numa luz mais favorável e ver o que aquilo na verdade representa pra mim.

Não encaro a minha cor como um algoz, não quero ser vitimizada por conta da minha etnia e muito menos quero que  isso seja um tabu na minha vida.

No vídeo eu dei a minha visão sobre essa questão no Brasil e na Alemanha também! Olha só!

 

 

 

P.S 1: essa minha voz enjoada Oo

P.S 2: Cês viram minha cicatriz no nariz?  Gravei o vídeo umas três semanas depois do acidente*Mirei no Harry Potter e acertei no Tyrion Lannister*

Continuando!

Fiquei muito feliz porque as pessoas reagiram muito bem ao vídeo e entenderam o que eu quis dizer como um todo, que não adianta se aborrecer por conta desse assunto nos seu dia a dia, que pensamentos como esse de pessoas aleatórias não podem e nem devem determinar seu destino, seu presente, suas opiniões e principalmente não devem determinar quem você é!

O racismo de qualquer forma é uma herança que deve pertencer somente àquele que o sente e dar ouvidos, razão ou atenção a esse tipo de pessoa é somente alimentá-lo  com a nossa própria energia.

Eu o vejo quando ele se apresenta, eu  o sinto quando ele me encara, mas eu  não deixo que ele siga viagem comigo.

Outras pessoas no entanto não reagiram tão bem, me criticaram por expor as coisas pelas quais eu passei como racismo, como quando eu mencionei que às vezes me incomodo com o fato de que algumas pessoas se levantam quando eu sento no metrô, justificando com o fato que os alemães são individualistas.Tá!

Como se fosse a coisa mais normal para pessoas individualistas preferir trocar a solidão de um assento duplo só para si, mas situado logo à minha frente, por um banquinho apertadinho dividido com outras três pessoas.

Ou até mesmo levantar num supetão quando eu me sento, quase como que atrasado para descer na próxima estação, e seguir viagem – de pé, encarando tristemente um assento vazio a seu dispor – até depois do meu desembarque.

E aí eu realmente não sei quem está certo ou errado nessa parada, eu só sei que me incomoda, mas se é racismo, eu também não sei…

Sobre o caso da minha multa no metrô, onde fui a única passageira a ser controlada por todos os controladores da empresa numa única vez, me chocou o fato de ter sido totalmente honesta ao contar o que aconteceu e mesmo assim ter sido taxada de ” brasileira trambiqueira que seu deu mal”.

Algumas pessoas publicaram o vídeo questionando a minha postura, mas eu me pergunto como foi quando essas pessoas vieram pra cá e chegaram já sabendo de tudo, sem cometer gafes ou enganos, sendo perfeitos em tudo ? Deve ter sido maravilhoso, com certeza!

Mas eu cheguei aqui  humilde, desesperada com tudo, tendo que me virar sozinha enquanto Limão trabalhava e nesse período errei, paguei mico, tropecei e faço isso até hoje. Tenho tanto pra aprender nesse país ainda, que nem sei como alguém em qualquer lugar do mundo acha que pode saber de tudo, mas tudo bem.

Resumindo eu não andei de metrô sem pagar, eu embarquei e no caminho entre uma estação e a outra eu não consegui comprar o bilhete pois só tinha uma nota de cinco euros e não, eu não deveria ter sido controlada por todos os funcionários da empresa e tão pouco eles deveriam ter gritado comigo.

Como “Cumpridores do dever” como alguns chamaram, a obrigação deles seria antes de qualquer coisa perguntar o porquê de eu não ter o bilhete e pasmem, eles poderiam ter me vendido um se quisessem, pois aquela maquininha não é apenas um cuspidor de multas, mas claro que não o fizeram pois eles recebem também pela quantidade de multas aplicadas.

Apenas um controlador seria o suficiente para fazer isso, mas foram quatro, que não controlaram nenhuma outra pessoa num período de quinze minutos que foi o que durou a viagem, onde alguém poderia ter se oferecido pra ajudar ou trocado minha nota por moedas para eu comprar o bilhete ou até mesmo ter apenas dito que eu tentei sim comprar, mas não tinha conseguido.

E aí sim aplicar a multa, mas com apenas UM controlador!

Eu errei, eles erraram, mas será que um erro justifica tanto assim o outro?

No fim, a própria empresa retirou a metade da multa e um dos guardas que estava no dia tornou-se meu amigo após frequentar o restaurante que eu trabalhava.

Mas se foi racismo? Eu continuo sem saber…

Essas são apenas uma das justificativas que poderiam ter mudado tudo nesse cenário, que foi tão criticado apenas por conta de um bilhete. que sinceramente, mesmo se houvesse a pior das intenções por minha parte ainda acho que não justificaria tal coisa.

Sabe como eu sei que essas soluções funcionam?

Porque eu mesma cansei de praticá-las quase todos os dias e vocês ficariam abismados com a quantidade de pessoas de todas as cores e nacionalidades que têm esses pequenos perrengues e se maravilham quando qualquer um se oferece para ajudar, principalmente com o risco iminente de ser taxado como pilantra por gente que sabe demais.

Mas eu sigo sempre disposta a ajudar quem precisa, especialmente quando me coloco no lugar delas e entendo o que elas estão se sentindo.

Como é ser negro na Alemanha ou no Brasil?

É como ser negro em qualquer lugar do mundo. Um exercício diário de auto conhecimento, onde eu pratico o mantra de que eu não sou nada mais que um ser humano que procura fazer o melhor possível dos seus dias aqui na Terra e que minha cor diz apenas de onde eu vim, das minhas raízes, mas nunca dirá até onde eu posso ir.

Nem eu e nem ninguém, seja essa pessoa quem for e como for.

 

Um beijo especial para Cris e Teresa que me convidaram, para todos que mandaram tantas mensagens bacanas no vídeo, aos que migraram aqui pro blog depois disso e até mesmo aos que criticaram, pois om certeza eu aprendi muito com essa experiência!

E um beijo super especial para vocês que acompanham aqui!

Qualquer pergunta, dúvida, puxão de orelha sobre esse vídeo ou esse tema, vocês sabem que a casa é de vocês! Só deixar o recadinho aí embaixo!

Até a próxima, pessoal!

 

 

 

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27 comentários sobre “A pergunta que não quer calar…

  1. Camila Oliveira 28 de outubro de 2014 / 17:45

    Talvez tu seja a negra mais linda e inteligente que conheço, com um sorriso e uma tatuagem maravilhosaaaaaaaaaa na perna. E fique sabendo que amarei minha amiga das gringas sendo negra, branca, com cicatriz no nariz ou com essa voz diferente no vídeo, hahahahaha. Infelizmente esse é um assunto e tanto, que rende muitas coisas e que sabemos que um preconceito que existe por todos os lados, mas o bom também é saber que a sua dedicação, caráter e a personalidade que tens são muito maiores que tudo isso, que se por algum triz passar por esse tipo de situação saberá bem como “se virar”, foi como disse o seu tom de pele apenas define de onde veio e não para onde vai” <33

    sua lyyyyynda, saudades já!

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    • pammiksch 31 de outubro de 2014 / 13:51

      E é assim que eu espero ser sempre, Cá!
      Mas sao tantas coisinhas pequenas, que desanimam a gente, que dão a sensacao de que vou passar por isso a minha vida toda, que às vezes dá um cansaço de tentar esperar que as pessoas tenham bom senso e a cabeça mais aberta em relaçao às diferenças!
      Mas vamos ter fé e esperar o melhor, certo?
      brigada amiga!
      Muitas saudades de você!

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  2. Luana Bacci 28 de outubro de 2014 / 18:32

    Gostei bastante do video, gostei da Cris e vou ver mais os videos dela!
    Pam, eu sou mulata, um pouco mais clara que voce. No Brasil eu passei pouco por situações de constrangimento por causa da minha cor, ou eu nunca tinha notado. Acho que a gente demora pra perceber a quantidade de problemas que vivemos por causa da nossa cor. Eu so comecei a reparar nisso quando comecei a ler blogs e jornalistas que tratam mais dese assunto, porque ate entao era tudo “normal”, “eh assim que eh”.
    De uns anos pra ca eu mudei muito em relacao a isso. Comecei a ver com mais cuidado como as pessoas reagem comigo.
    E eu percebi que, em geral, as pessoas me tratam como a todo mundo. Mas quando eh pra ser muito idiota e preconceituoso ai as pessoas capricham! E eh ai que dói, ne? Quando o cara vem em direcao a um grupo, fala oi pra TODO mundo, menos pra mim (por causa da minha cor) ai eu fico com muita raiva.. E confesso que tenho la minhas dificuldades de lidar com isso.

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    • pammiksch 31 de outubro de 2014 / 14:01

      Lu, nao poderia concordar mais com você!
      Comigo também levou um tempo pra perceber que essas ” coisinhas chatas” Nao eram ok, até por isso usei de ironia aqui no post dizendo que nao sabia se as coisas pelas quais eu passei eram racismo ou não.
      Mas como tem gente que acha que tudo se justifica com ” divergências culturais ou comportamentais” entao realmente nao me restou muito a dizer ou fazer, apenas lamentar!
      Eu sei que ainda vou tocar nesse assunto outras vezes aqui, mas acho ótimo que ele possa ser discutido, faz bem saber que a gente tá tentando reverter esse quadro pra lá de atrasado e ridículo, pra nao dizer palavra pior!
      Um beijao pra você! ❤

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  3. Carol 28 de outubro de 2014 / 21:18

    Olá!

    Parabéns pelo vídeo e pelo belo texto!!!
    Não entendo como algumas pessoas podem afirmar como uma pessoa q não conhece é trambiqueira! Não importa quantos anos se viva em uma cidade, ninguém NUNCA saberá de TODAS as situações. Vamos aprendendo a medida que vivemos cada situação. Por exemplo,aqui no Rio algumas linhas de ônibus tem duas roletas para supostamente agilizar a entrada de passageiros. A primeira vez que entrei fiquei sem saber o que fazer!

    Enfim, ainda que vc não tenha agido corretamente houve um abuso por parte desses controladores, uma desproporcionalidade pois vc não oferecia perigo as demais pessoas para precisar de 4 ‘armários’ pra resolver.

    bjus!

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    • pammiksch 31 de outubro de 2014 / 14:11

      Esse é preço de botar a cara na internet, eu já tava preparada pra isso!
      Isso só me fez admirar ainda mais a Cris que fala sobre tudo em seus vídeos com a maior franqueza possível!
      Mas como você mesma disse: é vivendo e aprendendo!
      Duro é lidar com gente que sabe tudo!
      Mas vamos que vamos!
      Brigada pelo apoio sempre, Bee!
      Beijas ❤

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  4. bebis.ray 28 de outubro de 2014 / 21:46

    É por ai mesmo. Cor é apenas cor. Ela não define carater e como já te disse uma vez, se ela definisse, a coisa estaria muito feia para os brancos!
    O racismo está no mundo e na sociedade desde sempre e acho que sempre estará, mas ele não precisa estar na sua vida, delimitando o que você é e o que pode fazer! O lance é esse mesmo, não dar ibope, ser feliz e ter orgulho de não ser um desses bestas!

    Beijos ❤

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    • pammiksch 31 de outubro de 2014 / 14:14

      Assim que eu tento viver , amora!
      Difícil é lidar com a corrente que vem do outro lado, é duro, mas a gente se esforça e passa por cima disso tudo!
      De qualquer forma foi muito bom poder falar sobre isso, reeceber o feedback de pessoas que já passaram até pela mesma situacao que eu e infelizmente, até por coisas piores!
      Mas a melhor maneira de fazer isso desaparecer é parar de alimentar esse monstro e falar dele com naturalidade e segurança pra que ele não assombre mais ninguém!
      Brigada pelo apoio sempre!
      Muito beijos! ❤

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  5. tclight 29 de outubro de 2014 / 1:17

    Muito legal seu texto e essa questão da fiscalização pelo que percebi sendo turista é que eles costumam ir em cima de quem parece não alemão. Em 2013 quando fui a Berlim com uma amiga tomamos um susto quando o fiscal deu um grito do tipo “ei vocês,onde estão seus bilhetes?”,até pq estávamos saindo da estação.A cara de frustração dele foi hilária pois tinhamos o ticket.Acontece 😦

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    • pammiksch 31 de outubro de 2014 / 14:16

      Olha, eu já soube até de casos que eles jogaram os bilhetes das pessoas fora, só pra ter o prazer de multar.
      Isso é mais comum do que se pensa, mas o bom de contar esses casos é que quebra essa aura de perfeiçao que estrangeiros têm.
      principalmente por parte dos brasileiros que se deslumbram muito com isso!
      desonestidade tem em todo lugar mesmo!
      Obrigada por comentar!
      um beijo bem grande pra você!

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  6. byad 29 de outubro de 2014 / 2:22

    Ahhh sua voz não é enjoada não haha adorei, vocês duas são super simpáticas, da até vontade de ir morar na Alemanha só pra fazer amizade ❤ hahaha *a forever alone aqui*

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    • pammiksch 31 de outubro de 2014 / 14:17

      Ahhhhhhhhhhhh vai ganhar um beijo por gostar da minha voz!
      E outro beijo por querer ser nossa amiga! Pode vir sim!
      Aqui sempre cabe mais uma!
      Um beijo beeem grande ( agora são três!) hahahaha

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  7. Otavio Spinola 29 de outubro de 2014 / 15:18

    Achei SENSACIONAL o vídeo e principalmente suas indagações no blog magérrima. O ponto de vista de uma brasileira q em momento algum denigre a imagem do país q a acolheu, mostrando apenas o que lhe aconteceu, sem generalização, sem auto piedade e sem comparações. Poderia falar q “no Brasil….” ou “em outra parte do mundo…” seria diferente.
    Se foi racismo o que vc passou na Alemanha? Deixe a cargo da consciência de cada um que leu ou viu o vídeo. Sou cada vez mais seu fã. Um forte abraço e (mais) sucesso pra vc pq vc é digna da vitória

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    • pammiksch 31 de outubro de 2014 / 14:20

      Magérrimo, por isso até que fui irônica com as frases ” se foi racismo, eu nao sei…”, porque pessoas sem o mßinimo de noçao querem definir o qeu eu senti ou nao! Nao dá pra acreditar numa coisa dessa, sabe?
      Então fica de acordo com o julgamento de cada um mesmo, até mesmo porque pimenta só dó no nosso olho mesmo!
      Muito obrigada pelo apoio, pelo carinho!
      Você sabe que você é meu ídolo, né?
      Ainda mais agora de olho azul e tudo! hahahahaha
      Um beijo enorme pra você, meu amigo!

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  8. Lua Virada 29 de outubro de 2014 / 20:13

    Pamela, AMEI demais seu vídeo!! ❤ ❤ Tanto é que mesmo fora da blogosfera por motivos de estudos, eu tive que vir aqui comentar! 😉

    Olha, fisicamente eu sou bastante parecida contigo (inclusive nasci no Rio de Janeiro, mas não conta pra ninguém, só nasci lá e minha família se mudou para Brasília quando eu era pequena demais para lembrar! Hehehe! =P ) temos o tom de pele parecido, embora por enquanto eu esteja mais esverdeada pela falta de sol, hahahaha! e o cabelo parecido também. Enfim.

    Mas então. Esse é realmente um assunto complexo que não pode ser esvaziado em apenas um post, um coment ou um vídeo de 20 minutos. Tratados e mais tratados são escritos a respeito disso, né? Mas enfim, vou deixar minha opinião aqui também…

    Para começar, não sei de onde diabos saíram essas tais pessoas para criticar seu depoimento. No mínimo são aquelas que dizem que racismo não existe (e que machismo também não e que xenofobia também não). Todas essas situações que você narrou são casos de racismo SIM, não tenha dúvida. Concordo que não devemos nos deixar abalar nem ficar procurando pelo em ovo, mas também não podemos ter medo de nomear o monstro quando o vemos. É racismo, pronto e acabou! O fato de fecharmos os olhos e tentarmos não dar nome não vai fazer ele desaparecer. Ponto pra você que enxergou isso e não teve receio nenhum de chamar o monstro pelo nome certo: racismo! Quem não gostou come menos! Humpf!

    A segunda coisa que eu queria dizer é que minha experiência me diz que o racismo brasileiro é um dos piores que existe, JUSTAMENTE por "não ter nome". As pessoas negam a existência de racismo no Brasil, mas isso não faz ele desaparecer, só atrapalha identificá-lo quando ele aparece. E quando uma coisa não tem nome e fica escondida, é bem difícil discutí-la e entendê-la.

    Aqui no Canadá exisite racismo também, mas por enquanto eu nunca sofri, felizmente. Estudo, tenho amigos, arranjei emprego de verão na área e até agora foi tranquilo. Mas Montreal é um verdadeiro melting pot, tem gente de tudo quanto é cor, formato e tamanho, por isso acho que as pessoas não estranham. Tenho certeza que se eu for morar em uma cidade pequena do interior o cenário será outro.

    Sabe uma coisa que me irrita? É a história de quererem pegar no meu cabelo. O meu cabelo chama atenção demais, mesmo as pessoas daqui sendo mil vezes mais discretas que no Brasil, a maioria das pessoas que eu conheço faz questão de me dizer o quão bonito ele é. Até aí ok, muito obrigado. Mas quando começa com essa história de querer tocar, eu já fico com um pé atrás. Por acaso eu sou atração de circo? Tipo, claro que eu entendo que as pessoas ficam curiosas pelo que é diferente, mesmo porque a grande maioria das pessoas negras aqui alisam o cabelo. Tanto é que se uma amiga pedir pra tocar meu cabelo eu deixo porque eu sei que é só curiosidade, não curiosidade mórbida. Mas gente com quem eu não tenho intimidade vir meter a mão no meu cabelo? No f*ck*ng way! Eu já me saio com um "Cabelo cacheado é tipo uma obra de arte. Você pode olhar, mas não pode tocar" 😉

    Olhando por esse lado, eu sofria mais racismo no Brasil do que aqui, pois no Brasil as pessoas são muito mais boca-grande e várias me perguntavam por que eu não alisava. Aqui, eu sou negra e pronto, meu cabelo é assim e pronto. Agora se alguém vai deixar de me dar um emprego porque a cor da minha pele é assim ou assado, é outra história. Talvez no futuro, na hora da busca de emprego, eu faça um post sobre isso.

    Me desculpe pelo comentário-bíblia, mas sobre esse tema eu poderia discutir por horas… Rsrs!

    Beijão,
    Lidia.

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    • pammiksch 31 de outubro de 2014 / 14:33

      Lua, pude me ver passando por muitas das coisas que você citou!
      Esse lance do cabelo sempre deu dor de cabeça, porque sempre tive muita gente se metendo na minha aparência e pasme, já acatei muito essa opiniões!
      A prova disso é o perrengue agora pra deixar o cabelo cahear de novo, mas até por pedidos de post sobre o assunto, logo vou falar sobre isso aqui!
      Eu mudei muito a minha visão de preconceito depois que vim pra cá, justamente por me sentir menos à margem da sociedade do que no Brasil, onde sempre me senti orgulhosa dessa imagem de mistura racial que deu certo e ver que tudo isso nao passava de uma grande mentira.
      Existe um padrão social a ser seguido no Brasil onde sua raça, sua posiçao social e seus bens determinam muito sobre a sua pessoa, mas eu nao me enquadro em nenhum desses aspectos e só aqui vi o quanto eu passei a minha vida toda tentando fazer parte de uma sociedade que na verdade nunca vai me deixar fazer parte de nada disso.
      Porém ainda vamos debater muito sobre isso, e eu espero que nos futuros posts com uma abordagem mais positiva e com exemplos melhores pra contar!
      Adorei saber que você é do Rio ( seu segredo está a salvo comigo!) e fico muito feliz que você tenha dado uma paradinha nos estudos pra vier aqui comentar!
      Muito obrigada de verdade por todo o apoio e por dividir um pouco das suas experiências!
      Um beijo e força no cabelón! deixa ninguém passar a mao mesmo não! ❤

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  9. Silvia Lira 30 de outubro de 2014 / 2:30

    Legal o video, nem reparei a cicatriz!!! 🙂
    Infelizmente preconceito existe em todo lugar do mundo mas to com vc, o que importa eh ser feliz, que se danem as criticas não construtivas!!! Vc está ótima!!! Sigo por aqui acompanhando o blog e sempre torcendo pelo seu sucesso!!
    Muito legal o canal da Cris!!
    Beijuuu!!!!

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    • pammiksch 31 de outubro de 2014 / 14:34

      Brigada,Silvia!
      A gente fez o vídeo com a melhor das intençõe e fomos totalmente honestas nas nossas opiniões!
      Claro que isso incomodou muita gente, mas o saldo final foi mais que positivo!
      Tô bem feliz com a experiência!
      Brigada pelo carinho sempre!
      Beijos ❤

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      • Silvia Lira 3 de novembro de 2014 / 0:35

        🙂

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  10. Bah 30 de outubro de 2014 / 4:12

    kkkkkkkk ri com “Mirei no Harry Potter e acertei no Tyrion Lannister”.
    Como já disseram acima, preconceito existe pra tudo e em tudo qto é lugar. Vc sabe que eu sofri preconceito no Japão por se brasileira? Eu, com a maior cara de japa, fui vítima de preconceito.

    K!

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    • pammiksch 31 de outubro de 2014 / 14:36

      Bah, eu acredito sim!
      A mentalidade brasileira é muito aversa a diferenças, o que realmente é uma pena com a nossa história multicultural!
      Fala a verdade, minha cicatriz tá um arraso, nao tá nao? hahahahaha
      Um beijão pra você! ❤

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  11. Sara R.B. 30 de outubro de 2014 / 22:50

    Eu achei o teu video super legal,e como vc mesma disse duvido muito que todos que te criticaram nunca passaram por algum problema semelhante ou se vieram sabendo tudo…a situação é sempre mais simples quando o problema não aconteceu conosco….teoria é muitooo diferente do que na prática acontece….eu sempre critiquei muito antes,e por tudo que critiquei, to,ei na testa, ate agora :).

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    • pammiksch 31 de outubro de 2014 / 14:38

      Mas é assim mesmo, Sara!
      A gente vive e aprende, quem acha que nao funciona desse jeito tá perdendo muito da vida!
      Um beijo grande!

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  12. Ana 31 de outubro de 2014 / 6:37

    Pam, adorei te ver e ouvir, é um assunto delicado mesmo, mas tem que ser falado, na verdade eu so percebi o quanto o racismo e o preconceito contra minorias no geral é forte no Brasil depois que eu sai de la. No Canada, mesmo os negros sendo minoria em comparaçao ao Brasil, eles sao bem representados, tem sempre apresentadores de tv, politicos, modelos, na publicidade, nas faculdades etc, e no Brasil que tem uma populaçao negra bem expressiva, a gente nao vê tanta representatividade.
    As leis sao bem rigidas aqui, entao a pessoa nao pode se declarar ou manifestar o seu preconceito senao vai pagar caro por isso, mas conheço alguns cubanos e africanos que disseram que ja sofreram sim, agora os muçulmanos (independente da cor) sao os que mais sofrem ultimamente pq as pessoas dizem que eles sao terroristas e aqui houve uns atentados o que piora pro lado deles.

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    • pammiksch 31 de outubro de 2014 / 14:45

      Ana,seu comentário foi de uma perfeiçao que queria te dar um abraço!
      Nós teríamos explorado todos esses pontos que você citou e até a questão dos muçulmanos que aqui na Alemanha é muito séria e um trsite caso de pré- conceito, já que grande parte da populacao de estrangeiros no país é composta por essas pessoas.
      ainda virão mais discussões sobre o tema com certeza e adoraria te ver por aqui participando delas, embora eu espere que dá próxima vez eu tenha casos mais agradvéis pra contar!
      Um beijo bem grande e muito obrigada pela comentário!

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  13. Ana Mota 4 de novembro de 2014 / 3:13

    Olá Pamela! Vi/ouvi você (agora) no vídeo da Cris (estava passeando pelo Youtbe)! Muito bom o seu depoimento! A gente que vive por aqui, no meu caso, tende a achar que a vida de uma pessoa negra, na Europa, em especial na Alemanha (tenha ela ascendência europeia ou não), é sempre mais difícil!
    Quando você mencionou o episódio com os africanos (creio que Senegaleses), lembrei de algo parecido aqui no Brasil. Nos anos 80 quando estava na faculdade conheci vários assim…Machistas, assim os nomeie. A implicância comigo eram os meus cabelos curtos, não alisados…..
    Por fim o episódio dos fiscais, olha bem Brasil isso, viu…Aqui liberam todos menos os negros. Tem um filme, chamado “Branco sai, preto fica” muito interessante. Se você encontrar assista!
    Uma boa novidade: Já encontramos nas farmácias e lojas de Beauty bases, primers, pó compacto e outros itens de maquiagem para os nossos diversos tons de pele! Bom isso, né? Claro que não temos os 12 tons de pele negra como encontramos nos USA, mas já é um caminho.
    No mais, tudo de bom para você! Berlin e Bonn estão na minha lista de “quero ir”.
    Um abraço.
    Ana Silvia

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    • pammiksch 5 de novembro de 2014 / 21:15

      Oi Ana! Brigada por ter me visitado aqui depois do vídeo!
      Fico muito feliz com todo esse retorno positivo que tenho recebido!
      Até agora nao tinha ouvido falar desse filme, mas com certeza vou procurar!
      Muito obrigada pelo carinho, pelas dicas e por esse comentário tao bacana!
      Olha, venha mesmo pra Bonn, tenho certeza que você vai adorar!
      E quando vier, me avisa!
      Quem sabe q a gente nao passeia juntas por aqui?
      Um beijo ❤

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