A escravidão que ainda há em mim

Eu sou negra ( ponto).

Racismo, preconceito, e qualquer assunto que tenha a ver com a ” não aceitação” da minha raça sempre foram consciente ou inconscientemente evitados por mim. Por medo talvez, por fuga ou por simplesmente me recusar a aceitar que em pleno século 21 esse tema ainda tenha que ser discutido e a prova disso , que tem tudo a ver com o que vou falar,é isso aqui .

Que fique muito claro já no começo desse texto que isso nunca significou que eu não tenha orgulho da minha cor, das minhas origens ou que eu esteja criticando qualquer um que tenha uma postura diferente da minha.

Mas aconteceu algo muito espetacular e quase extraordinário comigo quando eu fui assistir o já aclamado ” 12 anos de Escravidão” de Steve MacQueen, o mesmo citado no link acima.

E eu não vou fazer nenhuma crítica sobre o filme e o que eu achei dele, porque eu acho isso muito pessoal .

Mas é óbvio que é um filme forte e que mexe muito com os sentimentos de qualquer um e a prova absoluta foi o silêncio do cinema durante toda a exibição.

Esse é meu bisavô Custódio Aureliano Pereira, nascido em 1887, um ano antes de Lei Aurea.
Esse é meu bisavô Custódio Aureliano Pereira, nascido em 1887, um ano antes de Lei Aurea.

Eu, negra, filha de negros, neta de negros e todo um passado com certeza ligado à realidade que foi retratada no filme e que eu creio que deveria ser muito pior, me vi num cinema escuro e silencioso, rodeado de pessoas estrangeiras ( a maioria branca), incluindo meu marido ( que é branco) e de repente percebi que estava totalmente encolhida na minha poltrona, acuada, com medo, até um suor frio escorria pela minha testa.

Eu tive medo e pavor do que eu vi.

Posso descrever pra vocês claramente, que na minha mente eu passei as 2:13 minutos do filme sendo acorrentada, abusada, sendo culpada e associada a todo e qualquer mal que ocorresse no mundo.

E tudo isso porque não dá pra ignorar o fato que isso aconteceu num passado muito recente e que essa infelizmente ainda seria a minha realidade nos dias de hoje se esse absurdo não tivesse sido abolido.

Mas quanto de liberdade realmente restou pra mim ou pra você?

Quantas chibatadas você ainda leva quando alguém te vigia numa loja? Qual é a sensação de estar amarrado ao tronco prestes a ser punido quando alguém se levanta num transporte público e prefere ficar de pé do que ficar ao seu lado. Como pode um ferro em brasa queimar tanto quanto alguém usar sua própria etnia como um xingamento à você : ” Sua NEGA!” – quantas vezes eu ouvi isso e achei o xingamento mais sem sentido do mundo, afinal nega, crioula, mulata, preta é o que eu sou mesmo.

O filme, acabou, Limão apertava a minha mão com muita força e a música dos créditos finais só me deixava mais emotiva e me veio na cabeça uma conversa que tive  com a minha vó quando eu tinha uns 8 anos e cheguei em casa chorando porque a avó de uma coleguinha me chamara de Macaca, porque eu tinha feito bagunça na casa dela.

– Você não pode ficar dando motivos pra ninguém ficar brigando com você, porque a gente é preto, filha. E se você quiser que as pessoas te tratem bem, você tem que ser mais comportada e mais inteligente do que qualquer outro! Se eles fizerem 100, você tem que fazer 200!

Minha vó era a melhor mulher desse mundo, muito digna e forte, mas hoje quando me lembrei dessa conversa pensei e você também deve estar pensando que o que ela disse não tinha nada a ver, que era um exagero.

E eu pensei no quanto de escravidão ainda havia nela, sempre ensinando valores e coisas que ela havia aprendido com os patrões, como etiqueta, livros que seriam bons pra ler e outras coisas, ( ela foi empregada doméstica até pouco mais de 70 anos, sendo os últimos anos por puro apego à patroa), na obsessão por ordem e boa aparência que ela tinha comigo e com o meu irmão, porque nós andávamos como verdadeiros bonequinhos, sempre bem arrumados, com tudo do melhor que ela podia proporcionar e nós e nossos primos ( que também eram cuidados por ela) sempre fomos e somos até hoje elogiados pela nossa educação.

Ela simplesmente queria nos deixar o mais próximo possível da perfeição que ela acreditava que esperavam de nós, nós negros.

Minha vó Antonietta e meu vô José
Minha vó Antonietta e meu vô José

Quando os créditos finais se prolongaram e a luz do cinema se acendeu, eu vi uma outra garota, também negra sentada na fileira atrás de mim, a expressão dela era exatamente a mesma que a minha, uma mistura de pesar, alívio e confusão.

Saímos juntas até o saguão do cinema e depois até à rua, não trocamos nada mais do que um ” Boa Noite”, mas nossos olhares diziam ” Eu sei o que você sentiu”.

E ali eu vi o quanto de escravidão ainda havia em mim, no alívio de saber que hoje tenho liberdade, mas ainda me flagro me sentindo aliviada quando encontro um negro aqui na Europa por exemplo, quando peço desculpas quando alguém esbarra em mim e eu não tive culpa de nada, quando me desculpo mentalmente por não ser como os outros são e no quanto comentários dizendo que negros têm os melhores dentes, negros têm a melhor pele, negros aguentam trabalhar mais e etc, etc, etc que me atingem mais do que eu gostaria.

Da mesma forma como também me atinge uma outra parte de negros, que se prendem à esse passado, como uma bandeira pra se orgulhar, que se distinguem dentro da própria raça que tanto exaltam dizendo que fulano alisa o cabelo e não valoriza a própria raça; Cicrano só gosta de sair com branco(a); Outro é preto demais ,outro de menos e por aí vai.

Nenhuma tragédia é algo pra se orgulhar ,a Escravidão humana, não só a negra ou a de qualquer cor, foi como muitos outros casos terríveis na História, uma grande prova de quão longe o ser humano pode ir em nome de suas próprias vontades, sejam elas religiosas, pessoais, econômicas ou simplesmente por pura maldade.

Dizer que deveríamos simplesmente nos tratar como iguais seria muito utópico da minha parte, mesmo que eu seja uma pessoa totalmente a favor de utopias e sonhos impossíveis. Mas enquanto a humanidade não aprender que embaixo de qualquer cor de pele, o sangue que corre nas veias tem a mesma cor, ainda teremos essas e muitas outras tragédias para retratar em nosso passado, presente e também no futuro.

E especificamente pra nós negros e você, brasileiro de qualquer cor, que mesmo que nunca tenha pensado nisso mas também tem muito sangue negro nas suas veias, que possamos principalmente na nossa miscigenada terra aprender a aceitar as diferenças que nos tornam tão próximos.

E você negro, que bate no peito e se orgulha por nossa raça ter sobrevivido a tantas coisas horríveis, que seja  mais grato com a liberdade que eles nos proporcionaram, pois nenhum escravo lutou, morreu e sofreu para nos sentirmos honrados ,como num pequeno exemplo em ter um sistema de cotas que nos beneficia pela raça, como se isso fosse sempre determinar o quão longe você pode ir ou o quão bom você pode ser em alguma coisa.

A abolição veio para que os escravos de qualquer cor, fossem tratados  como iguais e nada mais que isso.

E quanto a mim, depois desse texto enorme e que eu te agradeço por ter lido até o fim, digo apenas que eu encarei a escravidão que me acompanha, e enfrentei o medo que isso me proporcionou e hoje, abandono meus grilhões para aproveitar o legado que me foi deixado: a liberdade.

Não a liberdade de ser uma negra livre, mas a liberdade de ser simplesmente o que eu quiser independente de qualquer escala colorida.

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40 comentários sobre “A escravidão que ainda há em mim

  1. Juliana Alves 19 de janeiro de 2014 / 15:04

    Eu sempre soube da sua capacidade de escrever e até já pude ler um pouco da sua obra. Mas quando você vem a público e fala sobre o que sente, sobre o que passa nessa cabeça com outros milhões de pensamentos, você me orgulha ( não que você deva, mas por eu não conhecer outra palavra que se encaixe para descrever a sensação que tenho ). A pessoa que eu conheço, sem rótulos, o ser humano que você é, nada mais é que incrível, me coloquei no seu lugar, entendi tudo o que você tenha passado durante as horas do filme e não julgo e também não compreendo perfeitamente, mas a leitura que pude ver aqui, merece ser compartilhada para que muitos outros leiam. A sua sinceridade e perfeição na escrita, o mundo precisa conhecer.

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    • pammiksch 20 de janeiro de 2014 / 22:12

      Você mais do que ninguém sabe o quanto escrever me ajuda, me liberta, me preenche!
      Eu sou muito grata por você sempre ler com muito carinho os devaneios que eu te mando e ter fé que um dia ainda alcanarei meu maior sonho nessa vida que é escrever meu livro!
      Eu te amo, nem tem mais o que dizer!
      Brigada por tudo sempre, Juhba!

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  2. Regina 19 de janeiro de 2014 / 16:22

    Lindo o seu texto! Parabéns, me emocionei muito!

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    • pammiksch 20 de janeiro de 2014 / 22:15

      Muito obrigada, Regina!
      Foi um desabafo, algo que eu precisava escrever pra que eu mesma pudesse refletrir depois, sabe?
      Mas eu fico muito feliz que tenha te tocado também!
      Um beijo bem grande!

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  3. Ana 19 de janeiro de 2014 / 18:32

    A minha maior vontade nesse momento é que o mundo inteiro pudesse ler esse texto. Nunca me senti tão tocada por palavras como hoje. Eu lamento muito o fato de você se sentir assim. Infelizmente nosso mundo ainda é muito medíocre para aceitar que todos nós somos um só. Todos somos filhos do mesmo Pai. Eu não sou negra, não tenho familiares negros, mas me orgulho muito de saber que em algum momento no passado fui descendente de negros. E me orgulho, nesse exato momento de você, que conseguiu mostrar em palavras tão perfeitas, o que mundo inteiro precisa saber. Pam, eu te adoro. Você é um grande exemplo pra mim!

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    • pammiksch 20 de janeiro de 2014 / 22:23

      Ô meu Deus, como eu agradeço por um presente tão maravilhosos como a sua amizade, Ana?
      Eu refeleti muito antes de escrever aqui, depois e muito mais apo´s receber tantas mensagens carinhosas e especialmente as suas.
      Eu nunca tive problema com a minha cor, mas eu tenho muito problema com as pessoas que ainda não a aceitam.
      E acho que por isso, essa reflexão foi tão necessária pra mim.
      ” Você é amável.Você é inteligente. Você é importante”, igual a Aibellen fala no The Help.
      E esse foi um dos conselhos que mais me tocaram em relação a esse tema, que eu repito pra mim mesma sempre que sinto mal em realação a isso. E que aqueles que ainda tiverem problemas com as diferenças humanas, que se isolem do mundo que tende a ficar cada dia mais colorido e misturado!
      Ana, brigada por tudo, brigada pelo post lindo que você fez também, eu fiquei muito emocionada!
      E principalmente obrigada por fazer parte da minha vida!
      Te adoro demais da conta, amiga!
      Muitos beijos

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  4. Cassia 19 de janeiro de 2014 / 20:04

    Eu adorei o seu post. O sangue africano tbm passam nas minhas veias e tenho muito orgulho disto, eu sou uma bela nistrua de muitas racas, racas que se respeitaram e se aceitaram, por que somos todos um só povo, somos iguais e todos merecemos respeito. Esse filme foi aenas mais um sinal para lembrar isso aos que nao respeitam outras racas e pessoas que nao tiveram oportunidade. Nós somos livres e especiais do jeitinho que a gente é! bom domingo

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    • pammiksch 20 de janeiro de 2014 / 22:28

      Você é um mistura espetacular de raças, Cássia!
      Você é linda por dentro e por fora então, maravilhosa!
      Eu espero que um dia, num futuro bem próximo, a gente possa ler esse post de novo e comentar como a gente sonhava antigamente que um dia as pessoas seriam todas tratatadas com igualdade e respeito, mas que nesse mesmo dia tudo isso seria nada mais que a nossa realidade.
      Eu tenho fé nisso, eu espero muito que esse dia chegue! E quando chegar a gente vai bater aquele papo!
      Muito obrigada pelo carinho!
      Beijos

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  5. Paula Oliveira 19 de janeiro de 2014 / 20:44

    Pam, não conhecia o seu blog, mas só esse post foi bastante para me conquistar. Belo texto e bela reflexão.
    Beijos

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    • pammiksch 20 de janeiro de 2014 / 22:32

      Oi Paula!!
      Que bom ter você aqui, fico feliz que tenha me achado!
      Eu te acompanho já faz um tempinho e te conheci através do blog da Lola!
      Fico muito feliz que você tenha gostado do post, foi um desses pensamentos que a gente tem que escrever, senão explode!
      E eu fico mais feliz ainda que tanta gente bacana e linda veio falar comigo sobre isso!
      Brigada mesmo!
      Muitos beijos pra você!

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  6. Lola Maria 19 de janeiro de 2014 / 20:57

    Pammmmmmmmmmmmm,
    pronto gritei também!
    Olha me arrepiei com o teu texto, de uma sensibilidade genial.
    Como disse para a Ana, Somos todos barro do mesmo pote, não é mesmo? Eu fico pê da vida quando me falam aqui na Alemanha, assim ai mais você é brasileira?
    Vc é branca de cabelo liso. Halloooooooo! Que m. é esta? Aonde que existe isto no Brasil? O povo brasileiro é o resultado de uma miscigenação de praticamente todas as etnias. Ai me vem uma outra “nazista” pq só chamando assim não é mesmo comenta com a outra, achando que eu não entendo alemão: ” Ah ela deve estar branca porque clima fez sua pele clarear”. Ai ai… melhor nem gastar meu alemão, respondendo uma estupidez desta.
    E sim Pam, tenha muito orgulho de sua cor, de seus avós, antepassados. Mas tenha muito mais orgulho do que você é como pessoa que ultrapassa a cor da tua pele. Tenha orgulho do existe em teu coração. E mais orgulho ainda de ser esta pessoa tão linda e especial que você é.
    Beijos e mais beijos
    Lola

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    • pammiksch 20 de janeiro de 2014 / 22:37

      Lola, aqui na Alemanha é um caso a parte ser ” diferente”, né?
      Eles não tem muita nocão de como as pessoas dos outros países se parecem, essa é a verdade!
      Aqui sempre acham que eu sou Cubana ou Francesa (?)! Hahahaha
      O preconceito aqui existe, mas é totalmente mascarado por conta do passado nazista, que eles não ousam associar a nenhum tipo de comprtamento no dia a dia, mas é claro q ue tem e não é pouco.
      Nao perca seu tempo com isso mesmo não, como eu nunca perdi e depois dessa reflexão ” forçada” perderei menos ainda.
      Fico sempre feliz de te ver por aqui, minha linda!
      Tô nessa correria de dois empregos/curso/casa e não tenho atualizado e acompanhado muito a vida blogueira, mas tava morrendo de saudade de você! Como que tá a perninha?
      Muitos beijos, amiga!

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  7. cervejaesalsicha 19 de janeiro de 2014 / 23:40

    Oi, Pamela
    que bom que cheguei até aqui para ler seu texto!
    “Dizer que deveríamos simplesmente nos tratar como iguais seria muito utópico da minha parte” – infelizmente, parece ser utópico sim, até o momento, mas não é por isso que vamos deixar o barco correr, né?
    Mais do que nunca é preciso dar uma chacoalhada nas ideias com textos como esse. As ideias e os discursos que despontam aqui e ali deixam claro o quanto existe de preconceito, de apego imenso aos rótulos e de escravidão em nós, quando o que importa é a essência de cada um.
    Um grande abraço,
    Lu

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    • pammiksch 20 de janeiro de 2014 / 22:42

      Oi, Lu!
      Antes de qualquer coisa, eu é que fico feliz de você ter me achado, viu?
      E eru penso exatamente da mesma maneira: é difícil, é utópico, mas não dá pra deixar como está.
      Nao dá pra mudar o mundo todo de uma vez, mas dá pra começar com o nosso mundo, fazendo o que está ao nosso alcance.
      e é isso que cada dia me faz encarar esses olhares, as coisinhas chatas, porque quem faz isso com quem é diferente porq ualquer aspecto é que tá errado, não é? Essas pessoas que precisam mudar.
      Muito obrigada pelas palavras e pelo carinho!
      A Panela aqui fica muito feliz !
      Um beijão

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  8. Silvia 20 de janeiro de 2014 / 0:22

    Clap! Clap! Clap! Escreveu muito bem!!! 🙂
    Os preconceituosos é q são escravos dos seus próprios preconceitos e perdem oportunidades de se relacionarem com pessoas incríveis!
    Me interessei pelo filme, irei assistir!!!
    Beijos!!!

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    • pammiksch 20 de janeiro de 2014 / 22:47

      Brigada, Silvia!!
      Eu também acho que o preconceito so envenena a alma de quem o sente mesmo!
      O alvo disso tudo, sofre, fica mal, mas segue em frente.
      mas quem insiste em pensar desse modo só vai se auto-destruindo e se privando de viver e conhecer pessoas e coisas diferentes e maravilhosas!
      assista o filme sim e depois vamos bater papao lá no ” feice”! hahahha
      Beijos

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  9. zoovox 20 de janeiro de 2014 / 16:27

    Que otimo esse texto, eu tb senti varios complexos de inferioridade, mas passa, o bom é aprender com os nossos erros e ninguem é inferior a ninguem cada um com seus erros e acertos,pois só tropeca quem anda, eu ainda acho no Brasil um racismo tao velado contra tudo tipo de gente o ceguinho, o tortinho, e fora coisas do tipo ele casou com uma moca tao boa, mas tao escurinha e de doer no fundo da alma, triste mesmo em pleno seculo XXI gente com uma cabeca tao pequena dessas.

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    • pammiksch 20 de janeiro de 2014 / 22:51

      Fabi, eu acho que no Brasil a coisa vai até bem além do disfarce, sabe?
      Já é automático segregar e apontar a difrença do outro como você citou muito com o exemplo dos deficientes.
      As pessoas perdem a própria identidade por culpa da nossa cultura que insiste em rotular tudo e todo mundo.
      Eu acho muito triste, mas tamb´m acredito que nada como um dia após o outro e a gente vai seguindo em frente e os cabeças-dura vão ficando pra trás, amarrados nos seus próprios julgamentos!
      Mas eu tenho certeza que isso um dia vai mudar!
      Beijo grande

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  10. Didi Brandão 20 de janeiro de 2014 / 20:42

    Acho que esse filme chegou em boa hora.
    Nós vivemos num mundo que prega que não existe mais o preconceito inter-racial,mas a verdade é que ele está tão misturado com a nossa sociedade que diz-se não existir.Quantas vezes eu já vi moças negras com filhos brancos serem chamadas de babás ou pedir informação a um negro numa loja porque acha que ele trabalha lá.O mundo continua cruel,preto é sinônimo de ladrão,nordestino é porteiro ou doméstica,oriental vende pastel.As pessoas tem necessidade de estereotipar,definir.
    Eu sou branca,neta de preto e índia nordestinos e portugueses e tenho muito orgulho de ser vira-lata.Sou grata pela minha família,foram os dedos pretos do meu avô que me deram meu primeiro livro,foi para os braços morenos da minha avó que cuidaram de mim.
    O pai da minha avó era branco e ele mesmo chegou a bater no meu avô dizendo que a filha não ia casar com “nêgo”.Quantas vezes as pessoas olham pra mim e pro “benzão” com cara de desaprovação e olha que ele nem é negão(uma pena!).50 anos de diferença e o preconceito fica disfarçado de “é-um-casal-que-não-combina”.
    Respeitemos o que nos foi dado como herança e que os erros do passado nunca voltem.

    Te amo minha marrom-bombom diliça! ❤

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    • pammiksch 20 de janeiro de 2014 / 23:01

      E olha que o benzão nem é nego mesmo!
      Pra você ver como tem gente besta!
      a gente volta e meia conversa sobre essas paradas, e eu até já tinha te contado o quanto esse filme mexeu comigo!
      Você é uma das pessoas mias lindas que eu conheço, e muito dessa beleza vem da família linda que te criou, e eu sou muito grata pelo carinho que ganho dela através de você!
      Eu acho que o caminho é um só: respeitar simplesmente porque não vai dar padronizar esse mundo nunca!
      E graças a Odin por isso, que somos todos nós tão diferentes, mas tão semlehantes oa mesmo tempo!
      Te amo muito, meu Chuchu!
      Brigada pela força sempre, todo dia, toda hora!

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  11. Clau 21 de janeiro de 2014 / 7:36

    Oi Pam, primeiro parabens pelo texto! Na uni estou fazendo pela terceira vez uma matéria sobre escravidão negra. A primeira foi sobre em toda a américa, a segunda so sobre amstad, e agora a terceira sobre a amazonia brasileira. Infelizment, pois como voce mesmo disse eh um passado recente, tenho que concordar com voce que ainda existe em muitas pessoas este racismo que nada mais eh que ignorancia e falta de sentimentos bons à Deus e ao proximo. Quero dizer que te acho uma pessoa linda! Por dentro, por fora, de ponta cabeça, tanto faz! Acho que quem te conhece acha o mesmo tbm! Queria te dar uma dica, pois acho que um pré-conceito, se ameniza (nao sempre, mas vale a pena tentar) quando se conhece os fatos de fato!, entao com ajuda do joao, escreve esse texto em alemao. Eu sinto que as pessoas devem ler isso aqui na Alemanha tbm e que esse eh um texto ideal! Todos os livros que eu li ate agora sobre este tema foram escritos por alemaes, ingleses, portugueses, etc. Esta faltando as pessoas que passam isso no dia a dia escreverem tbm, isso sim eh a verdadeira história. Acho que muita gente conseguiu sentir o que leu no seu texto, e eu tbm. Eu tenho tudo dentro de mim, negro, indio, branco e me sinto orgulhosa por ter essa mistura, mas que custo pra gente nascer assim ne… Bju querida conte sempre comigo! Clau

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    • pammiksch 22 de janeiro de 2014 / 15:41

      Clau, minha amiga querida!
      Nunca canso de dizer o quanto você me ajuda desde de quando cheguei aqui e o quanto eu te agradeço por isso, viu?
      Quando nos encontrarmos vamos conversar sobre essa sua idéia, que eu adorei e já falei com o João e ele gostou muito também!
      Brigada por tudo, você faz parte da minha família!
      Beijos

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  12. sueli 21 de janeiro de 2014 / 12:37

    Oi Pamela parabéns pelo seu texto, simplesmente maravilhoso. Com certeza você irá um dia realizar o seu sonho em escrever um livro e terá vários seguidores. Muito bom você possuir o dom da escrita e ajudar as pessoas a abrirem suas mentes e olhos e refletirem sobre preconceito e tudo mais…
    E como a minha internet deu tilte outro dia não te desejei sucesso nos seus novos empregos. Bjão

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    • pammiksch 22 de janeiro de 2014 / 15:42

      Ah, Sueli, você sempre tão querida comigo!
      Eu fico muito feliz que você tenha gostado, brigada mesmo!
      Muitos beijos, minha linda!

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  13. Thaty 24 de janeiro de 2014 / 17:10

    Não conhecia seu blog e cheguei aqui através da BC Fotos da Dani Moreno. Agradeço a ela por estar aqui e a ti pelo texto maravilhoso. Demorei pra entender na minha vida o que as pessoas chamam de diferenças raciais. Mais ainda pra entender o racismo. Esse não entrava na minha cabeça. Tive uma infância cheia de brincadeiras e amigos diferentes. Diferentes nos gostos, nos trajes, na educação, na grana. Mais iguais nas brincadeiras e na sujeira que voltávamos pra casa no fim da tarde. Na minha opinião, o que nos difere realmente, nós brasileiros,europeus, negros, brancos, índios é a humanidade. Um autor uma vez disse: “Todos nascemos humanos, mas devemos trabalhar muito para merecer sê-lo!”
    Um grande beijos e parabéns, escreves muitíssimo bem
    Thaty

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    • pammiksch 24 de janeiro de 2014 / 23:10

      Antes de qualquer coisa, muito obrigada por ter lido!
      Eu sempre fico lisonjeada com isso, é inevitável!
      Thaty, eu também nunca vou entender essa tal ” diferença” e é jusatamente por isso que eu escrevi esse post. O filme me fez refletir no quanto de submissao não só os negros, mas qualquer outro tipo de gente que seja difrente por alguma razão ainda tem.
      Pra mim é como se a vida nao tivesse ensinado nada pras pessoas que ainda praticam esse tipo de comportamento de segregacão, de julgamento, enfim, de ser contrário á diferença do outro!
      Pra mim todo mundo é igual e lindo em cada uma de suas particularidades!
      Adorei a frase que você citou, é bem por aí mesmo!
      Obrigada por me mostrar, vou guardar entra as minhas favoritas!
      Um beijo bem grande pra você

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  14. barb 27 de janeiro de 2014 / 20:33

    Sem palavras com esse texto, lindo de uma delicadeza……. já passei alguma vez por aqui, mas agora em definitivo vou te acompanhar 🙂

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    • pammiksch 28 de janeiro de 2014 / 21:19

      Mas que coisa boa!!
      Fico muito feliz que você tenha gostado e que esteja fazendo parte aqui da Panela também!
      O blog é nosso, viu?
      Volte sempre que eu vou ficar imensamente feliz!
      Um beijão

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  15. Vânia 5 de fevereiro de 2014 / 22:01

    Pam sua linda!
    Que texto mais sensacional. Faz todo o sentido de muita gente ter se sensibilizado, assim como eu me sensibilizei. É inacreditável que em pleno século 21 ainda exista tanta gente preconceituosa e medíocre assim. Não se sinta inferior nunca na sua vida. Você é uma pessoa linda e querida a qual eu admiro um tantão. Sinta orgulho de suas raízes, porque mesmo não a conhecendo pessoalmente eu tenho orgulho de você.

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    • pammiksch 10 de fevereiro de 2014 / 20:10

      Awnnnn Vania!
      Olha, eu nem sei como agradecer aos deuses por ter encontrado alguém tao especial nessa internet!
      mesmo de longe, saiba que gosto muito de você e fico aqui sempre torcendo, mentalizando coisas boas, me preocupando, enfim, me importando muito com você e esperando sempre que você esteja sempre bem!
      Me sinto honrada por ter sua amizade e muito feliz que você tenha orgulho de mim!
      E eu também tenho ( de mim) e de você!!
      Beijões

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  16. Marcela 6 de março de 2014 / 14:01

    Pam, me emocionei muito com seu texto, muito mesmo. Eu ainda não assisti esse filme, mas quero muito. Vou te dizer, também sonho em viver em uma sociedade igualitária, acho que todos deveriam ser tratados iguais. No Brasil eu sou considerada “branca”, mas na verdade eu tenho tudo dentro de mim, sangue negro, índio e português. Eu fico muito triste em ver quando alguém sofre preconceito (de qualquer forma, por ser mulher, homossexual, ou por causa da cor de pele), mas eu sempre tomo parte e brigo com o agressor, entro no meio SIM, pois se não nos unirmos nada vai mudar. Temos todos que tomar partido pra isso acabar de vez. Eu ainda acredito que as coisas vão mudar.

    beijos!!!

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    • pammiksch 7 de março de 2014 / 18:40

      O mundo é cruel com quem é diferente, seja essa diferença qual for!
      Eu sonho com o dia em que posts como esse, servirão apenas pra mostrar o quanto nós evoluímos em relacão a tudo isso!
      E tenho fé que esse dia vai chegar!
      Um beijo bem grande

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  17. Mayã Meirelles 18 de dezembro de 2014 / 22:01

    Texto simplesmente incrível!
    Imagino que tu tenha uma visão de preconceito parecida com a minha. Eu acho que não se deve ter orgulho negro, branco, gay, judeu ou o que mais quer que seja, pq assim tu já tá distinguindo pela cor. Claro que quando eu falo isso as pessoas acham que a racista sou eu, mas eu realmente acho que a gente não deve distinguir ninguém por raça, cor, credo ou orientação, que nada disso é motivo de orgulho ou ofensa, pois somos todos humanos.
    Beijos! 🙂

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    • pammiksch 22 de dezembro de 2014 / 21:54

      May, é exatamente isso que eu penso!
      Até por isso eu evito usar a palavra racismo, porque enquanto nos separarmos por racas, essa doenca nunca vai acabar!
      A única raca que existe ou deveria existir é a humana e é isso que devemos levar em consideracao sempre, principalmente quando o outro é diferente de nós sim, mas ao mesmo tempo igual!

      Um beijo grande pra voce! ❤

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  18. Céu | Lifenista 2 de fevereiro de 2015 / 21:51

    Uau! Cheguei agora ao seu blog e não saio mais! Que post mais poderoso! Eu lembro de ter me sentido exatamente como você descreveu. Sua escrita é tocante e inspiradora Pam! Blog incrível!

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    • pammiksch 2 de fevereiro de 2015 / 23:06

      Puxa vida! Ganhei meu dia com esse comentário!
      Muito obrigada, de verdade!
      Fico muito feliz e lisonjeada que você tenha gostado do blog e do texto!
      Um beijo bem grande e espero que você volte muitas outras vezes! ❤

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